sexta-feira, 22 de março de 2013

HAMILTON MACHADO - parte II



Biografia - parte II
(clique aqui para ler a parte I)

Hamilton destacava também, de forma instigante em suas obras o lado lírico, sensível, energia, força e disposição do homem. Algumas vezes com concepções heroicas e de muita grandeza e, outras vezes, de forma enigmática e surreal. 

Suas próprias palavras afirmam: "Sempre dei destaque ao ser humano como personagem mais importante do universo. O homem como personagem do dia-a-dia é egoísta, ambicioso, vem destruindo a todo instante nossa fauna e flora. Por isso que meu trabalho é uma crítica ácida e feroz a esse posicionamento do homem" (apud ARTIOLI, 2004, p. 4).

"Flagrante do guerreiro". 1980. Acrílica sobre tela. 40x32cm. Acervo do MASC. Disponível em: http://www.alquimidia.org/masc4/index.php?mod=acervo&ac=obra&id=440


Seus trabalhos eram desenvolvidos após muita leitura e pesquisa. Sua produção artística pode ser ligada ao ao Realismo Fantástico[1] com elementos oníricos e uma simbologia própria que se repete em várias de suas obras, muitas vezes com pássaros, cavalos e livros abertos que são poeticamente empregados pelo artista (ARTIOLI, 2004).


Título não referenciado. Foto: Arlei Schmitz (foto de Marina Mosimann). Fotografia copiada da reportagem "Um álbum para Hamilton Machado" - Jornal A Noticia de 26 de agosto de 2002.  Disponível em: http://www1.an.com.br/2002/ago/26/0ane.htm


Hamilton sobrevivia fazendo retratos, logos, cartazes e ilustrações. “Durante sua vida obteve o reconhecimento da qualidade de seu desenho e de sua obra dentre vários críticos do cenário nacional, como Harry Laus, Walmir Ayala, Adalice Araújo, entre outros”, afirma Artioli (2004, p. 5).

Marina Mosimann, ex-diretora do Museu de Arte de Joinville (MAJ) e proprietária da Galeria de Arte Lascaux (que atualmente não se encontra mais em funcionamento) afirma que "devido a seu temperamento introvertido, seu modo de ser impediu-o de tornar-se uma celebridade nacional. Fechado, não permitia aberturas, principalmente da mídia. Não se deixava ir ao encontro da crítica e nem que ela viesse até ele"  (apud ARTIOLI, 2004, p. 5).


Hamilton Machado. Foto: Arquivo pessoal/divulgação. Disponível em: Jornal A Notícia de 26 de ago. de 2012. Disponível em: http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/noticia/2012/09/ha-20-anos-joinville-perdia-quatro-importantes-figuras-de-seu-cenario-artistico-3896926.html

Nos últimos anos, trabalhou com novas propostas, mas sem abandonar o estilo de desenho mais clássico. Seu traço é livre mas sem detalhes, pois assume uma grande espontaneidade. O crítico de arte Marc Berkowitz afirma que Hamilton revela o seu talento e a sua criatividade de interpretar as coisas que nós apenas sentimos e os seus olhos enxergam (ARTIOLI, 2004). 

Exímio e ágil desenhista, uma das técnicas que mais explorou foi a do bico de pena. Paisagens e naturezas mortas foram pouco criadas, pois seu tema mais abordado era o ser humano. 


"Mulher com gato". Nanquim e bico de pena. Dados não referenciados. Disponível em: blog da artista Asta dos Reis - http://blogdaasta.blogspot.com.br/2012/01/desenhodo-neolitico-ao-contemporaneo.html?showComment=1354119905843#c6929942753336385241


Tinha grande admiração por Picasso. Logo, teve uma fase cubista, com geometrizações e explorando diferentes ângulos e planos em suas telas. Chegou a fazer a inscrição “SOCAPI”, referenciando-se a Picasso (ARTIOLI, 2004). Assim como no Cubismo, transitou também pela Pop Art, mas não levou muito adiante, mesmo que sua produção é fortemente ligada a desenhos publicitários e comerciais.

Executou obras com outros artistas, como o artista falecido e também professor da Casa da Cultura, Luiz Si. Intitulou-se como “mestre”, referência para seus alunos. Gostava de ouvir música clássica, e, ao seu lado, tinha sua filha Joanna como companheira de desenhos e pinturas, a qual ele gostava de incentivar com material e liberdade.


Hamilton com a filha Joanna. Dados não referenciados. Foto extraída de reportagem do Jornal A Notícia de 11 de maio de 2010. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2899684.xml&template=4187.dwt&edition=14667&section=1186

A mãe e a filha, depois de sua morte, se mudaram para o Rio de Janeiro. Longe da produção de seu pai – levaram apenas seis obras para o Rio -, a filha acredita que não há tanta dedicação ao talento de seu pai que decora casas e ocupa o acervo do MAJ; ela lamenta o fato do quanto a imagem de seu pai foi se apagando com o tempo, segundo reportagem do Jornal A Notícia, de Rafaela Mazzaro em 2010.

O MAJ possui cerca de dez peças do artista em seu acervo, como pinturas, bicos-de-pena e desenhos cedidos pelo autor, que foram adquiridos pelo município e doados pela comunidade. Em 2009 aconteceu uma exposição das obras no MAJ, intitulada “Memórias de um Acervo”. Hoje, além da Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior, o MAJ também possui uma sala com seu nome.


Título não referenciado. 1981. Nanquim sobre papel. 32x19cm. Acervo do MASC. Disponível em: http://www.alquimidia.org/masc4/index.php?mod=acervo&ac=obra&id=596


Hamilton era primo dos irmãos Edson Buch Machado e Juarez Machado, mas, por ter um jeito retraído, ignorava o cumprimento quando encontravam-se em eventos e aberturas de exposições. Sua filha, Joanna, afirma que “Apesar do jeito reservado, ele se considerava mestre e gostava que reconhecessem isso” (apud MAZZARO, 2010).

Artioli (2004, p. 8), em trabalho de conclusão do curso de História da Arte da Casa da Cultura, complementa sobre o artista:  "Hamilton questiona o homem em suas manifestações mais complexas. Durante sua trajetória [...] com seu traço perfeito e domínio técnico aprimorado, exprime no seu repertório clássico uma obra que brota do inconsciente".

(clique aqui para ler a parte I)



[1] Escola de pintura que surgiu em Viena por voltar de 1945, considerado o movimento da pintura austríaca pós-guerra mais típico. Combinavam o realismo minucioso com fantasia e imaginação. Peter Brüegel foi um grande inspirador dessa corrente estilística nas artes (ARTIOLI, 2004).


Referências


ARTIOLI, Ana Cláudia M. Moreira. Atividade sobre o artista joinvilense Hamilton MachadoEscola de Artes Fritz Alt. Professora Berenice Joanna Mokross. 17 de nov. de 2004.

Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em:http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3650. Acesso em 15 de jan de 2013.

MAZZARO, Rafaela. Traços de liberdade. Jornal A Notícia, Joinville, 11 mai. 2010. Caderno Anexo, p.1.

PEREIRA, Mariana. O legado de um artista. Jornal Notícias do Dia, Joinville, 8 mai. 2009. Caderno Plural, p. 1.

UM 1992 que não deve ser esquecido. Jornal A Notícia, Joinville, 26 set. 2012. Caderno Anexo, p. 1.

Um comentário:

  1. Nossa qta saudade do meu tio Hamilton, que além de uma super desenhista era um excelente pai e o melhor tio do mundo!!!! saudade eterna.... Fernanda

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