segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Eugênio Colin

Após visualizar as postagens dos entrevistados sobre as Memórias de Eugênio Colin, veremos a seguir as entrevistas sobre como era a sua produção artística.




Imagem copiada de uma reportagem da pasta do artista localizada na Biblioteca do Museu de Arte de Joinville (MAJ). COLIN, um pintor fiel a sua arte. Jornal A Notícia, Joinville, 23 mar. 1981. Anexo, p. 1.



Produção artística


Célio Colin (sobrinho) “O Eugênio era exclusivamente pintor, artista. Ele fazia daquilo a profissão dele. [...] Ele tentou por uma ou duas vezes ser professor, mas não gostou. [...] Os raios solares ele esfregava um pincel branco. Por isso os pinceis dele eram todos cortados”. “No começo ele pintava de forma clássica, depois começou a ‘modernizar’ um pouco. [...] pintava sábado, domingo; era profissional e pintou por mais de 70 anos”.

Raquel Colin (filha de Eugênio) “Ele pintava uma tela por dia. [...] levantava cedo, fazia o café e sentava para ler o jornal e fumar um cigarrinho”.

Ester Colin (filha de Eugênio) “Ele acordava cedo, enquanto estava tudo quieto na casa. Porque quando minha mãe acordava, não dava mais, pois minha mãe falava muito - ele dizia que o sossego dele era enquanto ela não levantava, porque aí podia pintar calmamente. E lá pelas 10 ou 11 horas ele saía para fazer as comprinhas do almoço do dia. [...] Era o horário que ele parava de pintar e parava para almoçar. [Logo em seguida] deitava um pouco e botava o pijama. Depois, pintava mais um pouco, aí ia tomar banho, jantar e para o bar. Todo dia ele ia para o bar”. “Um detalhe da pintura dele é que no início ele pintava mais detalhadamente, e com o passar do tempo ele modificou as pinceladas”.

Nadja de Carvalho Lamas (professora e pesquisadora em artes, escreveu sua monografia sobre Eugênio Colin): “Ele tinha uma regularidade na produção, até porque a sobrevivência dele e de sua família dependia disso. A esposa de Eugênio que fazia tudo, eles não tinham empregada. Era uma vida simples, muito simples. Mas a grande paixão dele, o que ele mais gostava de fazer era pintura de paisagem, do Paraná, e daqui da nossa região. Ele gostava muito de Curitiba; na verdade ele tinha uma admiração muito grande por Curitiba. [...] Ele era um paisagista antes de qualquer coisa. [...] Alguns trabalhos do Sr. Eugênio se repetem; é a mesma estrutura paisagística, mas ele muda na luz, na cor e no tratamento do céu”.

Eugênio Colin ao lado de suas telas em uma de suas exposições. Foto: acervo Ester Colin.

Agradecemos a Célio Colin, Ester Colin, Raquel Colin e Nadja de Carvalho Lamas que gentilmente aceitaram participar das entrevistas sobre Eugênio Colin.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Victor Kursancew

Após visualizar as postagens dos entrevistados sobre as Memórias de Victor Kursancew, veremos a seguir as entrevistas sobre como era a sua produção artística.

Foto de Roberto Adam, fotografia de Victor Kursancew. Copiado do Jornal A Notícia, 1980.


Produção artística

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor): “[Aprendi que] a pincelada final, ela se mantém íntegra. [...] Também a questão das veladuras, eu aprendi. [Certa vez] Quando ele fez uma diluição do verde-limão para passar por cima do retrato, eu observei e pensei: ‘O que ele vai fazer agora?’. Aquele verde sobre o tom da pele, deu o tom da contraluz, perfeito. Ele deixou bem transparente, então o verde atenuou os tons rosados. E a figura, [às vezes] tem a vegetação que está em volta, [então o rosto] rebate a cor. Foi isso que ele colocou na figura, esse rebatimento da cor ambiente. Ele era mestre; na pintura o seu Victor era primoroso. Essa foi uma herança, um privilégio [que eu tive]”. “Durante dois anos ele ministrou aulas, primeiro na Casa da Cultura e depois no Ateliê dele, que era lá na Rua Jaguaruna onde ele tinha também a oficina de pintura, em que fazia pintura promocional, de publicidade. E ali eu me apresentei para ele, levei uma pintura minha que alguém indicou ‘você precisa falar com o seu Victor’. Aí ele me aceitou e [formamos um grupo] com a Marli Swarowsky, a Edith Wetzel [...] [entre outras]. Esse grupo [...] era uma vez por semana. Fazíamos com modelo vivo [...] ou só portrait de amigos, amigas que às vezes voluntariamente iam lá. [...] Ele era formado em Belas Artes na Europa; [...] tinha formação clássica, desenhava muito bem, e pintava também. Era primoroso porque fazia uma leitura da pessoa, da personalidade, e tecnicamente era perfeito. Com ele eu aprendi a misturar as cores, que até então eu não tinha essa noção, percepção. Ele atiçou minha curiosidade e fui pesquisando cada vez mais”.

Angélica Kursancew (filha de Victor) “Era frequente vê-lo pintando portraits em seu atelier e interagindo com seus alunos. [...] Também criava arte comercial, produzindo muitos painéis (outdoors) para o comércio e indústrias locais. Seu talento era multidimensional: [produzia] pinturas para igrejas, para templo maçônico, artes cênicas para ballet e teatro, eventos como a Festa das Flores, programação visual para ônibus e carros, lojas e supermercados”. 

Descaso 

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor) “Joinville atualmente só tem que chorar e lamentar o estado dos nossos equipamentos de cultura. Não temos uma sala de exposição digna, o nosso Museu (MAJ) está fechado, a Casa da Cultura está fechada, a Galeria de Arte (GMAVK) está fechada, entre outros. [...] Então a obra dos artistas vai ser mostrada aonde? Primeiro não tem espaço”. 

KURSANCEW, Victor. Os Quatro Cavaleiros. Óleo s/tela. 1,80x1,40. Data desconhecida.

Agradecemos a Asta dos Reis e a Angelica Kursancew que gentilmente aceitaram participar das entrevistas sobre Victor Kursancew.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Arte Jlle na mídia

 O projeto Arte Jlle saiu no informativo cultural impresso "Cidade Cultural". Confira:

Recorte sobre o projeto (clique para ampliar):


Página do informativo onde saiu a matéria (clique para ampliar):


Capa do informativo (clique para ampliar):

 Agradecemos a equipe do Cidade Cultural pela divulgação de nosso projeto e divulgação dos diversos eventos artísticos e culturais da cidade!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Fritz Alt - Um Homem e Seu Mundo

Confira o vídeo-documentário sobre Fritz Alt - "Um Homem e seu Mundo" - com direção de TiroTTi realizado em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX), da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), produzido em 2006.



Roteiro original: Walter de Queiroz Guerreiro
Roteiro adaptado: Equipe Projeto Fritz Alt (Ana Paula dos Santos, Maurício Biscaia, TiroTTi)
Atores: Eliton Felipe de Souza, Soraia Silva e Hélio Muniz
Artista plástica entrevistada: Edith Wetzel
Sinopse: um casal de jovens passeia pela cidade, visita o museu, troca ideias sobre quem é Fritz Alt e se delicia com o rigor e a estética do escultor. O Museu Casa Fritz Alt serve de centro para que possamos passear, juntos dos jovens, pelos monumentos espalhados pelos quatro cantos de Joinville.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Hamilton Machado

Após visualizar as postagens dos entrevistados sobre as Memórias de Hamilton Machado, veremos a seguir as entrevistas sobre como era a sua produção artística.


Fotografia de Hamilton Machado pintando no ateliê em seu apartamento. Acervo Nissi Machado.

Produção Artística

Sandra Almeida (ex-aluna e amiga de Hamilton) “Às vezes uma obra [dele] tem mais de uma influência [de artista]. Ele era um grande artista na verdade; eu sempre penso que um dia ele vai ter um reconhecimento nacional”.

Asta dos Reis (ex-aluna de Hamilton) “Ele fazia os convites para a Galeria de Artes [Municipal Victor Kursancew], a maioria que eu lembro foram ilustrados pelo Hamilton. [...] Como ele era funcionário, ele ganhava um tanto de horas para fazer, e sempre era muito bonito; ele era muito criativo. E essa parte gráfica da Casa da Cultura, que eu saiba, era tudo com ele”.

Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna e amiga de Hamilton) “O Hamilton lia muito e gostava muito de música erudita. [...] gostava de ficar desenhando, pintando, enquanto ouvia [música]. Ele não falava, mas a gente sabe que a grande musa dele foi a Cristina [esposa]. Muitos trabalhos ela que posou para ele. Ele era um grande desenhista. [...] [Certa vez] Ele chegou, [e nós estávamos] fazendo uma modelo que estava posando para nós. Ele chegou e disse: ‘Não, não é assim! Querem ver?’. Ele não gastou 20 minutos para fazer aquele retrato [com lápis]. Qualquer coisa que pedisse para o Hamilton desenhar, ele fazia; era de uma rapidez, de uma precisão no traço, no desenho, era impressionante. O domínio dele no desenho era algo assim fantástico. [...]  [Tinha uma] leveza na mão. Ele pegava no lápis e arrasava. Ele vivia do seu trabalho, fez muitos retratos. A sociedade joinvilense de um modo geral quase toda tem retrato feito por ele. [E esses] trabalhos por encomenda, ele procurava dar a característica poiética dele. Isso ele fazia para sobreviver, mas ele tinha também os trabalhos de criação, e tinha o trabalho na Casa da Cultura como professor. [...] Também, tinha um domínio da cor fantástica, mas ao mesmo tempo era uma pessoa que lidava muito com a música, a poesia. [...] [O desenho dele] é um desenho espontâneo, não é aquela coisa sofrida; parecia que era extensão do braço do Hamilton. Era um desenho leve, espontâneo, que saía com muita facilidade, que fluía mesmo. Ele pensava com o olhar, pensava o mundo a partir de sua perspectiva de artista”. “Eu percebi que teve [imagens da] pasta lá no Museu [de Arte de Joinville] que eu acho que as pessoas pegaram emprestado e não devolveram. [...] [O MAJ ainda] é a melhor fonte porque se tem uma pasta de cada artista. Eu acho isso importante, acho até que é um trabalho que o Museu precisa intensificar, divulgar e  não se restringir às matérias de jornal”.

MACHADO, Hamilton. Dois segundos após o Eclipse. 1980. 100 x 50cm. Acervo particular. 

Agradecemos a Sandra Almeida, Asta dos Reis e Nadja de Carvalho Lamas que gentilmente aceitaram participar das entrevistas sobre Hamilton Machado.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Mário Avancini

Após visualizar as postagens dos entrevistados sobre as Memórias de Mário Avancini, veremos a seguir as entrevistas sobre ensinamentos deixados pelo artista e como era a sua produção artística, além de relatos de descaso com sua obra.

Autoria desconhecida. Mário Avancini. Imagem copiada da reportagem "E da pedra fez-se a arte", da Revista Döhler. Disponível em: http://www.dohler.com.br/revistadohler/pedra.htm

Produção artística

Marli Avancini (filha de Mário) “Meu pai trabalhava muito mais em casa, a não ser um trabalho que fosse encomendado pela Prefeitura de Joinville”. “[As obras - esculturas] que foram para o exterior eu conheço, mas não sei para quem foram vendidas. A Regina Colin levava muita cultura nossa para a Alemanha, e ele [Mário Avancini] acabou sendo reconhecido em vários países”.

Marcos Avancini (filho de Mário) “Ele produzia muito, tanto que parte de sua saúde ficou comprometida por conta disso”.

Sandra Almeida (ex-aluna de Mário) “Ele era professor de Cerâmica da Casa da Cultura, [...] e era meu professor. Então eu pedia: ‘Sr. Mário, eu queria fazer uma pomba’. Ele sentava no meu lugar e fazia a pomba; ele era como o Hamilton. Eles faziam, eles eram artistas”. “Ele não tinha nem noção da obra dele, da importância da obra dele; [...] não foi reconhecido como deveria. Não tinha noção. Ele fazia porque era uma coisa da natureza dele”.


Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna de Mário) “[...] O grande destaque do seu Mário está na pedra. E predominantemente ele fez figuras humanas, quase sempre estilizadas, [...] algumas figuras míticas. Mas teve uma pequena produção do Sr. Mário que foi não figurativa, é um pouco geometrizada, [...] mas não foi adiante. [...] O Sr. Mário tinha uma produção muito grande, tinha muita encomenda. Tanto ele quanto o Hamilton foram dois artistas muito requisitados na cidade. A cidade comprou muitas peças deles”.

Descaso

Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna de Mário) “Acho que houve na Casa da Cultura um desrespeito muito grande com ele. Não se preocuparam com o impacto do trabalho dele dentro da Casa da Cultura, porque quando se liga aquele forno [forno onde os alunos de Cerâmica queimam as peças], há certos esmaltes ali que são muito tóxicos. E quando aquele forno entra na alta temperatura, todas aquelas peças soltam gases, e tem gases que quimicamente têm um impacto muito grande sobre o organismo. E o Sr. Mário sempre cuidou daquilo, e nunca houve preocupação por parte da instituição e nem ele tinha conhecimento para saber o tamanho dos problemas [que aquilo podia acarretar]. Tinha época que o Sr. Mário estava tão intoxicado que apareciam umas placas roxas no corpo dele. Ele passou a ter muitos problemas físicos em decorrência do forno. [...] [Mesmo assim] Eu me lembro que houve muita coisa na Casa da Cultura; movimento das pessoas, da gente se manifestar em relação ao Sr. Mario, do tratamento que ele estava tendo. Não no tratamento mal da pessoa, mas o descaso, ou o desconhecimento do impacto sobre o corpo dele e das condições de trabalho. As condições de trabalho eram insalubres mesmo. Ele passou a ter problema pulmonar, trabalhando com a pedra, com o pó da pedra. [...] O final da vida do Sr. Mário foi sofrido, [...] [também] em decorrência tanto do trabalho com o forno quanto com a pedra”. 

Título não atribuido. Foto copiada da reportagem "Museu de arte promove piquenique comunitário neste domigo", de Cláudia Mota. Data: 20/03/10. Disponível em: http://www.portaljoinville.com.br/v4/noticias/2010/03/museu-de-arte-promove-piquenique-comunitario-neste-domingo.

Agradecemos a Marli Avancini, Marcos Avancini, Sandra Almeida e Nadja de Carvalho Lamas que gentilmente aceitaram participar das entrevistas sobre Mário Avancini.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Fritz Alt

Após visualizar as postagens dos entrevistados sobre as Memórias de Fritz Alt, veremos a seguir as entrevistas sobre ensinamentos deixados pelo artista e como era a sua produção artística, além de relatos de descaso com sua obra.

Fritz Alt acompanhando a realização de um bronze na fundição de Otto Bennack. Foto copiada do livro "A vontade do desejo", de Walter de Queiroz Guerreiro.

Produção artística

Léa Alt (neta de Fritz) “Lá embaixo [do Museu Casa Fritz Alt] onde ele fazia as obras, tinha um cavalete enorme que tinha uns ferros em cima, e aquele ferro era uma estrutura que ele ia modelando, [...] moldando para depois passar para o gesso e bronze”.  “[...] [tem obra dele] em Joinville ali na Praça da Bandeira. Inclusive foi minha mãe que posou, além da minha tia e meu tio”. “Cada obra dele demorava muito. Porque imagina: [...] ele colocava num tanque, e ali ele colocava água, sei que fazia uma mistura [no tanque]. [...] Se era um busto, era mais rápido, mas se era um corpo inteiro, até acabar, pois depois ia para o gesso e bronze. Eu não sei te dizer quanto tempo demorava, se era um mês, dois meses.”

Orlando Zacharias (genro de Fritz) “[...] Esses trabalhos eram constituídos [normalmente das seguintes fases]: moldagem da escultura, argila ou o barro, gesso, cera e posteriormente fundido em bronze”.

Descaso 

Léa Alt (neta de Fritz) “O [busto] de Celso Ramos roubaram [...] de madrugada. [...] Eu acho que deveria ter mais divulgação da forma como você está fazendo para não ruir a memória”.

ALT, Fritz. "O Friorento". s/d. Escultura em gesso patinado. Foto de Juliana Rossi.

Agradecemos a Léa Alt Lovisi  e a Orlando Zacharias que gentilmente aceitaram participar das entrevistas sobre Fritz Alt.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Eugênio Colin

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais.

Abordaremos nessa postagem o artista Eugênio Colin. Dividimos por categorias para que assim as falas dos entrevistados fiquem mais organizadas. Nessa postagem, abordaremos as Memórias sobre o artista, divididas em três subcategorias: "Características físicas e psicológicas", "Situações e momentos" e "Falecimento do artista".

Os entrevistados foram: Raquel Colin, Ester Colin (filhas), Célio Colin (genro e sobrinho do artista) e Nadja de Carvalho Lamas (pesquisadora do artista).

Montagem de fotos. À esquerda: foto de Pena Filho. Foto de Eugênio Colin. À direita: COLIN, Eugênio. Amanhecer. 1961, 90 x 60 cm, óleo sobre tela. Fotografia de autoria desconhecida. Coleção Particular. Joinville/SC.

Características físicas e psicológicas

Célio Colin (sobrinho e genro de Eugênio) “Aonde ele ia, conversava com todo mundo”.

Raquel Colin (filha de Eugênio) “Ele era meio surdo, por isso usava aparelho nos dois ouvidos. Era muito querido, simples, bem humilde”.

Ester Colin (filha de Eugênio) “Ele foi um pai muito querido”.

Nadja de Carvalho Lamas (pesquisadora do artista) - “[Eugênio tinha a] cabeça bem branca, sempre me recebeu muito bem, era baixinho, magrinho. Um homem muito triste. [...] Ele era uma pessoa muito agradável, sempre me recebeu muito bem”. 

Situações e Momentos

Ester Colin (filha de Eugênio) “Ele era muito boêmio. A noite ia tomar uma cervejinha, jogar dominó. Aí faltava dinheiro para comprar carne para o dia seguinte, e então ele tinha que vender um quadro por R$ 50,00”. “Ele vendia muitos quadros para os mórmons. Os mórmons procuravam por ele. E por conta disso, ele se batizou na igreja mórmon, aqui em Joinville para facilitar as negociações - se batizou mórmon”.  “Um dia eu estava passando no antigo Fórum. Encontrei o Eugênio sentado na calçada, num cantinho, encostado na mureta do fórum velho, com um jornal aberto, na calçada. A bicicleta dele estava encostada ali. Era um dia bonito de sol. Ele tinha acabado de ir ao banco Bradesco perto do terminal [central de ônibus] para tirar a aposentadoria. Na volta ele sentou ali e no bolso tinha o cigarro, isqueiro e toda a aposentadoria - todo o dinheirinho dele ali no bolso da camisa, para todo mundo ver. Ele era assim, muito ingênuo”. “[Outra vez] entrei no banco e vi um aglomerado de gente. Pensei comigo: ‘Aconteceu alguma coisa aqui’. Eu também tinha conta naquele banco. [...] Daqui a pouco quando eu olho, vi uma ‘cabecinha branca’. Aí cheguei mais perto para ver, e era ele [Eugênio Colin] que estava no meio do aglomerado. Não sei se ele estava nervoso naquela hora. Sei que ele tirou dinheiro e largou lá. Por sorte a mulher que estava atrás dele pegou o dinheiro e foi atrás”.

Nadja de Carvalho Lamas (pesquisadora do artista) “[...] O Sr. Eugênio Colin foi o primeiro arte-educador da cidade. [...] No lugar onde era o atelier dele, [...] ele começou a dar aula de arte”. “Ele foi um dos pioneiros também em fazer exposição em praça pública. Tinha feira de arte, ele expunha na feira, em hall de hotel. Ia desbravando, criando os espaços para expor o trabalho dele. Ele não deu aula na Casa da Cultura. Não durou muito tempo, mas ele deu aula no espaço dele”. "Na década de 80 quando a Amarilis Laurenti foi diretora do Museu de Arte de Joinville - MAJ, criou um projeto que chamava ‘Domingo no Museu’. [...] No Jardim do Museu, todo mundo ficava desenhando, pintando, esculpindo, alguns declamando [poesias]. Passávamos o dia inteiro ali. Eu lembro-me um dia que o Hamilton [Machado] falou assim: ‘Nadja, presta atenção no céu do seu Eugênio. Ninguém faz um céu igual a ele’. [...] Mas eu não tinha amizade com ele. [...] Conheci ele ali, tinha o maior respeito, tinha até um pouco de receio de se aproximar [...]. Ele era atencioso, mas, estabelecia limites”.

Falecimento do Artista

Ester Colin (filha de Eugênio) “Ele parou de pintar depois do A.V.C. no ano 2000. E em 2005 ele faleceu”.

Célio Colin (sobrinho e genro) “Ele ficou 28 dias em coma. [...] A pneumonia aconteceu, pois ele ingeria os líquidos e ia para o pulmão. Dessa forma, ele engasgava. A sequela também se deu na garganta, que passou a não funcionar mais. Quando ele engolia alguma coisa, parte do alimento ia para o pulmão. Então ele não teve uma pneumonia de gripe ou de resfriado, e sim de ingestão de alimentos, do pulmão esquerdo só. [...] Levei 8 meses  para levantar ele da cama. [...] Até o ano 2000 ele estava bem, era ativo, andava de bicicleta”.

Raquel Colin (filha de Eugênio) “Ele saiu do hospital e já colocaram a sonda no estômago, porque ele não podia nem tomar água, pois o esôfago dele não funcionava. [...] Ele perdeu a vontade de pintar depois do derrame”.
Foto: autoria desconhecida. Eugênio Colin na época em que morava em São Paulo. Acervo de Ester Colin.

Em breve, postaremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.