segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Victor Kursancew

Após visualizar as postagens dos entrevistados sobre as Memórias de Victor Kursancew, veremos a seguir as entrevistas sobre como era a sua produção artística.

Foto de Roberto Adam, fotografia de Victor Kursancew. Copiado do Jornal A Notícia, 1980.


Produção artística

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor): “[Aprendi que] a pincelada final, ela se mantém íntegra. [...] Também a questão das veladuras, eu aprendi. [Certa vez] Quando ele fez uma diluição do verde-limão para passar por cima do retrato, eu observei e pensei: ‘O que ele vai fazer agora?’. Aquele verde sobre o tom da pele, deu o tom da contraluz, perfeito. Ele deixou bem transparente, então o verde atenuou os tons rosados. E a figura, [às vezes] tem a vegetação que está em volta, [então o rosto] rebate a cor. Foi isso que ele colocou na figura, esse rebatimento da cor ambiente. Ele era mestre; na pintura o seu Victor era primoroso. Essa foi uma herança, um privilégio [que eu tive]”. “Durante dois anos ele ministrou aulas, primeiro na Casa da Cultura e depois no Ateliê dele, que era lá na Rua Jaguaruna onde ele tinha também a oficina de pintura, em que fazia pintura promocional, de publicidade. E ali eu me apresentei para ele, levei uma pintura minha que alguém indicou ‘você precisa falar com o seu Victor’. Aí ele me aceitou e [formamos um grupo] com a Marli Swarowsky, a Edith Wetzel [...] [entre outras]. Esse grupo [...] era uma vez por semana. Fazíamos com modelo vivo [...] ou só portrait de amigos, amigas que às vezes voluntariamente iam lá. [...] Ele era formado em Belas Artes na Europa; [...] tinha formação clássica, desenhava muito bem, e pintava também. Era primoroso porque fazia uma leitura da pessoa, da personalidade, e tecnicamente era perfeito. Com ele eu aprendi a misturar as cores, que até então eu não tinha essa noção, percepção. Ele atiçou minha curiosidade e fui pesquisando cada vez mais”.

Angélica Kursancew (filha de Victor) “Era frequente vê-lo pintando portraits em seu atelier e interagindo com seus alunos. [...] Também criava arte comercial, produzindo muitos painéis (outdoors) para o comércio e indústrias locais. Seu talento era multidimensional: [produzia] pinturas para igrejas, para templo maçônico, artes cênicas para ballet e teatro, eventos como a Festa das Flores, programação visual para ônibus e carros, lojas e supermercados”. 

Descaso 

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor) “Joinville atualmente só tem que chorar e lamentar o estado dos nossos equipamentos de cultura. Não temos uma sala de exposição digna, o nosso Museu (MAJ) está fechado, a Casa da Cultura está fechada, a Galeria de Arte (GMAVK) está fechada, entre outros. [...] Então a obra dos artistas vai ser mostrada aonde? Primeiro não tem espaço”. 

KURSANCEW, Victor. Os Quatro Cavaleiros. Óleo s/tela. 1,80x1,40. Data desconhecida.

Agradecemos a Asta dos Reis e a Angelica Kursancew que gentilmente aceitaram participar das entrevistas sobre Victor Kursancew.

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