terça-feira, 6 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Mário Avancini

Após visualizar as postagens dos entrevistados sobre as Memórias de Mário Avancini, veremos a seguir as entrevistas sobre ensinamentos deixados pelo artista e como era a sua produção artística, além de relatos de descaso com sua obra.

Autoria desconhecida. Mário Avancini. Imagem copiada da reportagem "E da pedra fez-se a arte", da Revista Döhler. Disponível em: http://www.dohler.com.br/revistadohler/pedra.htm

Produção artística

Marli Avancini (filha de Mário) “Meu pai trabalhava muito mais em casa, a não ser um trabalho que fosse encomendado pela Prefeitura de Joinville”. “[As obras - esculturas] que foram para o exterior eu conheço, mas não sei para quem foram vendidas. A Regina Colin levava muita cultura nossa para a Alemanha, e ele [Mário Avancini] acabou sendo reconhecido em vários países”.

Marcos Avancini (filho de Mário) “Ele produzia muito, tanto que parte de sua saúde ficou comprometida por conta disso”.

Sandra Almeida (ex-aluna de Mário) “Ele era professor de Cerâmica da Casa da Cultura, [...] e era meu professor. Então eu pedia: ‘Sr. Mário, eu queria fazer uma pomba’. Ele sentava no meu lugar e fazia a pomba; ele era como o Hamilton. Eles faziam, eles eram artistas”. “Ele não tinha nem noção da obra dele, da importância da obra dele; [...] não foi reconhecido como deveria. Não tinha noção. Ele fazia porque era uma coisa da natureza dele”.


Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna de Mário) “[...] O grande destaque do seu Mário está na pedra. E predominantemente ele fez figuras humanas, quase sempre estilizadas, [...] algumas figuras míticas. Mas teve uma pequena produção do Sr. Mário que foi não figurativa, é um pouco geometrizada, [...] mas não foi adiante. [...] O Sr. Mário tinha uma produção muito grande, tinha muita encomenda. Tanto ele quanto o Hamilton foram dois artistas muito requisitados na cidade. A cidade comprou muitas peças deles”.

Descaso

Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna de Mário) “Acho que houve na Casa da Cultura um desrespeito muito grande com ele. Não se preocuparam com o impacto do trabalho dele dentro da Casa da Cultura, porque quando se liga aquele forno [forno onde os alunos de Cerâmica queimam as peças], há certos esmaltes ali que são muito tóxicos. E quando aquele forno entra na alta temperatura, todas aquelas peças soltam gases, e tem gases que quimicamente têm um impacto muito grande sobre o organismo. E o Sr. Mário sempre cuidou daquilo, e nunca houve preocupação por parte da instituição e nem ele tinha conhecimento para saber o tamanho dos problemas [que aquilo podia acarretar]. Tinha época que o Sr. Mário estava tão intoxicado que apareciam umas placas roxas no corpo dele. Ele passou a ter muitos problemas físicos em decorrência do forno. [...] [Mesmo assim] Eu me lembro que houve muita coisa na Casa da Cultura; movimento das pessoas, da gente se manifestar em relação ao Sr. Mario, do tratamento que ele estava tendo. Não no tratamento mal da pessoa, mas o descaso, ou o desconhecimento do impacto sobre o corpo dele e das condições de trabalho. As condições de trabalho eram insalubres mesmo. Ele passou a ter problema pulmonar, trabalhando com a pedra, com o pó da pedra. [...] O final da vida do Sr. Mário foi sofrido, [...] [também] em decorrência tanto do trabalho com o forno quanto com a pedra”. 

Título não atribuido. Foto copiada da reportagem "Museu de arte promove piquenique comunitário neste domigo", de Cláudia Mota. Data: 20/03/10. Disponível em: http://www.portaljoinville.com.br/v4/noticias/2010/03/museu-de-arte-promove-piquenique-comunitario-neste-domingo.

Agradecemos a Marli Avancini, Marcos Avancini, Sandra Almeida e Nadja de Carvalho Lamas que gentilmente aceitaram participar das entrevistas sobre Mário Avancini.

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