segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Hamilton Machado

Após visualizar as postagens dos entrevistados sobre as Memórias de Hamilton Machado, veremos a seguir as entrevistas sobre como era a sua produção artística.


Fotografia de Hamilton Machado pintando no ateliê em seu apartamento. Acervo Nissi Machado.

Produção Artística

Sandra Almeida (ex-aluna e amiga de Hamilton) “Às vezes uma obra [dele] tem mais de uma influência [de artista]. Ele era um grande artista na verdade; eu sempre penso que um dia ele vai ter um reconhecimento nacional”.

Asta dos Reis (ex-aluna de Hamilton) “Ele fazia os convites para a Galeria de Artes [Municipal Victor Kursancew], a maioria que eu lembro foram ilustrados pelo Hamilton. [...] Como ele era funcionário, ele ganhava um tanto de horas para fazer, e sempre era muito bonito; ele era muito criativo. E essa parte gráfica da Casa da Cultura, que eu saiba, era tudo com ele”.

Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna e amiga de Hamilton) “O Hamilton lia muito e gostava muito de música erudita. [...] gostava de ficar desenhando, pintando, enquanto ouvia [música]. Ele não falava, mas a gente sabe que a grande musa dele foi a Cristina [esposa]. Muitos trabalhos ela que posou para ele. Ele era um grande desenhista. [...] [Certa vez] Ele chegou, [e nós estávamos] fazendo uma modelo que estava posando para nós. Ele chegou e disse: ‘Não, não é assim! Querem ver?’. Ele não gastou 20 minutos para fazer aquele retrato [com lápis]. Qualquer coisa que pedisse para o Hamilton desenhar, ele fazia; era de uma rapidez, de uma precisão no traço, no desenho, era impressionante. O domínio dele no desenho era algo assim fantástico. [...]  [Tinha uma] leveza na mão. Ele pegava no lápis e arrasava. Ele vivia do seu trabalho, fez muitos retratos. A sociedade joinvilense de um modo geral quase toda tem retrato feito por ele. [E esses] trabalhos por encomenda, ele procurava dar a característica poiética dele. Isso ele fazia para sobreviver, mas ele tinha também os trabalhos de criação, e tinha o trabalho na Casa da Cultura como professor. [...] Também, tinha um domínio da cor fantástica, mas ao mesmo tempo era uma pessoa que lidava muito com a música, a poesia. [...] [O desenho dele] é um desenho espontâneo, não é aquela coisa sofrida; parecia que era extensão do braço do Hamilton. Era um desenho leve, espontâneo, que saía com muita facilidade, que fluía mesmo. Ele pensava com o olhar, pensava o mundo a partir de sua perspectiva de artista”. “Eu percebi que teve [imagens da] pasta lá no Museu [de Arte de Joinville] que eu acho que as pessoas pegaram emprestado e não devolveram. [...] [O MAJ ainda] é a melhor fonte porque se tem uma pasta de cada artista. Eu acho isso importante, acho até que é um trabalho que o Museu precisa intensificar, divulgar e  não se restringir às matérias de jornal”.

MACHADO, Hamilton. Dois segundos após o Eclipse. 1980. 100 x 50cm. Acervo particular. 

Agradecemos a Sandra Almeida, Asta dos Reis e Nadja de Carvalho Lamas que gentilmente aceitaram participar das entrevistas sobre Hamilton Machado.

Um comentário:

  1. Nosso pai,Harro Stamm foi um grande admirador e comprador da obra de Hamilton Machado.Temos retratos de familiares desenhados por ele mas também temos obras criativas muito importantes,como uma delas ainda assinada SOCAPI,ou seja PICASSO ao contrário,que ele adotou no início da carreira.

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