quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Entrevistas - sobre Eugênio Colin

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais.

Abordaremos nessa postagem o artista Eugênio Colin. Dividimos por categorias para que assim as falas dos entrevistados fiquem mais organizadas. Nessa postagem, abordaremos as Memórias sobre o artista, divididas em três subcategorias: "Características físicas e psicológicas", "Situações e momentos" e "Falecimento do artista".

Os entrevistados foram: Raquel Colin, Ester Colin (filhas), Célio Colin (genro e sobrinho do artista) e Nadja de Carvalho Lamas (pesquisadora do artista).

Montagem de fotos. À esquerda: foto de Pena Filho. Foto de Eugênio Colin. À direita: COLIN, Eugênio. Amanhecer. 1961, 90 x 60 cm, óleo sobre tela. Fotografia de autoria desconhecida. Coleção Particular. Joinville/SC.

Características físicas e psicológicas

Célio Colin (sobrinho e genro de Eugênio) “Aonde ele ia, conversava com todo mundo”.

Raquel Colin (filha de Eugênio) “Ele era meio surdo, por isso usava aparelho nos dois ouvidos. Era muito querido, simples, bem humilde”.

Ester Colin (filha de Eugênio) “Ele foi um pai muito querido”.

Nadja de Carvalho Lamas (pesquisadora do artista) - “[Eugênio tinha a] cabeça bem branca, sempre me recebeu muito bem, era baixinho, magrinho. Um homem muito triste. [...] Ele era uma pessoa muito agradável, sempre me recebeu muito bem”. 

Situações e Momentos

Ester Colin (filha de Eugênio) “Ele era muito boêmio. A noite ia tomar uma cervejinha, jogar dominó. Aí faltava dinheiro para comprar carne para o dia seguinte, e então ele tinha que vender um quadro por R$ 50,00”. “Ele vendia muitos quadros para os mórmons. Os mórmons procuravam por ele. E por conta disso, ele se batizou na igreja mórmon, aqui em Joinville para facilitar as negociações - se batizou mórmon”.  “Um dia eu estava passando no antigo Fórum. Encontrei o Eugênio sentado na calçada, num cantinho, encostado na mureta do fórum velho, com um jornal aberto, na calçada. A bicicleta dele estava encostada ali. Era um dia bonito de sol. Ele tinha acabado de ir ao banco Bradesco perto do terminal [central de ônibus] para tirar a aposentadoria. Na volta ele sentou ali e no bolso tinha o cigarro, isqueiro e toda a aposentadoria - todo o dinheirinho dele ali no bolso da camisa, para todo mundo ver. Ele era assim, muito ingênuo”. “[Outra vez] entrei no banco e vi um aglomerado de gente. Pensei comigo: ‘Aconteceu alguma coisa aqui’. Eu também tinha conta naquele banco. [...] Daqui a pouco quando eu olho, vi uma ‘cabecinha branca’. Aí cheguei mais perto para ver, e era ele [Eugênio Colin] que estava no meio do aglomerado. Não sei se ele estava nervoso naquela hora. Sei que ele tirou dinheiro e largou lá. Por sorte a mulher que estava atrás dele pegou o dinheiro e foi atrás”.

Nadja de Carvalho Lamas (pesquisadora do artista) “[...] O Sr. Eugênio Colin foi o primeiro arte-educador da cidade. [...] No lugar onde era o atelier dele, [...] ele começou a dar aula de arte”. “Ele foi um dos pioneiros também em fazer exposição em praça pública. Tinha feira de arte, ele expunha na feira, em hall de hotel. Ia desbravando, criando os espaços para expor o trabalho dele. Ele não deu aula na Casa da Cultura. Não durou muito tempo, mas ele deu aula no espaço dele”. "Na década de 80 quando a Amarilis Laurenti foi diretora do Museu de Arte de Joinville - MAJ, criou um projeto que chamava ‘Domingo no Museu’. [...] No Jardim do Museu, todo mundo ficava desenhando, pintando, esculpindo, alguns declamando [poesias]. Passávamos o dia inteiro ali. Eu lembro-me um dia que o Hamilton [Machado] falou assim: ‘Nadja, presta atenção no céu do seu Eugênio. Ninguém faz um céu igual a ele’. [...] Mas eu não tinha amizade com ele. [...] Conheci ele ali, tinha o maior respeito, tinha até um pouco de receio de se aproximar [...]. Ele era atencioso, mas, estabelecia limites”.

Falecimento do Artista

Ester Colin (filha de Eugênio) “Ele parou de pintar depois do A.V.C. no ano 2000. E em 2005 ele faleceu”.

Célio Colin (sobrinho e genro) “Ele ficou 28 dias em coma. [...] A pneumonia aconteceu, pois ele ingeria os líquidos e ia para o pulmão. Dessa forma, ele engasgava. A sequela também se deu na garganta, que passou a não funcionar mais. Quando ele engolia alguma coisa, parte do alimento ia para o pulmão. Então ele não teve uma pneumonia de gripe ou de resfriado, e sim de ingestão de alimentos, do pulmão esquerdo só. [...] Levei 8 meses  para levantar ele da cama. [...] Até o ano 2000 ele estava bem, era ativo, andava de bicicleta”.

Raquel Colin (filha de Eugênio) “Ele saiu do hospital e já colocaram a sonda no estômago, porque ele não podia nem tomar água, pois o esôfago dele não funcionava. [...] Ele perdeu a vontade de pintar depois do derrame”.
Foto: autoria desconhecida. Eugênio Colin na época em que morava em São Paulo. Acervo de Ester Colin.

Em breve, postaremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.

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