quarta-feira, 31 de julho de 2013

Entrevistas - sobre Victor Kursancew

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais.

Abordaremos nessa postagem o artista Victor Kursancew. Dividimos por categorias para que assim as falas dos entrevistados fiquem mais organizadas. Nessa postagem, abordaremos as Memórias sobre o artista, divididas em três subcategorias: "Características físicas e psicológicas", "Situações e momentos" e "Falecimento do artista".

As entrevistadas foram: Angélica Kursancew (filha) e Asta dos Reis (ex-aluna).

Montagem de fotos. À esquerda: foto de Roberto Adam. Foto de Victor Kursancew. À direita: KURSANCEW, Victor. Retrato do Sr. Moreira. S/data, 50 x 55 cm, óleo sobre tela. Fotografia de autoria desconhecida. Coleção Particular. Joinville/SC.

Características físicas e psicológicas do artista

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor) “Mais cheinho, não era muito alto. Mais ou menos 1,70 de altura [...]. Na época ele já estava grisalho. [...] Emocionalmente, ele tinha uns 'rompantes'. Claro, ele queria que as coisas funcionassem perfeitamente, o padrão de exigência dele era alto. E aí muitas vezes ele entrava em conflito. E também por isso, segundo o que eu sei, [...] me disseram que ele saiu (da Casa da Cultura) porque se desentendeu. As coisas que ele pedia não eram atendidas na escola, aí ele se desgostou e parou. [...] Como eu já tinha feito um ano com ele, já sabia o nível, eu não ia perder essa chance. Fui lá para o seu ateliê”.

Angélica Kursancew (filha de Victor) “Era de estatura mediana, encorpado, olhos azuis e próximo aos 60 anos lembrava um pouco a fisionomia de Albert Einstein. Tenho fortes recordações da sua personalidade intensa, extrovertida e muito dedicado a sua família e amigos. Era feliz sentado a mesa de um bar  discutindo assuntos polêmicos e bastante crítico em relação ao que se diz arte”.

Situações e momentos

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor) “Ele era rigoroso. Tinha suas horas de brincadeira, também. Mas gostava que tudo tivesse em ordem, que a gente também fizesse corretamente. A gente se esforçava no que dava”. “Nós estávamos pintando lá onde hoje é o Zoobotânico, [...] e tinha um barranco, então ele pediu que eu ‘tirasse’ [a cor] carmim. Achei estranhíssimo, carmim para pintar um barranco. [...] Ele sabia como fazer, mas não tinha um embasamento teórico direto. Talvez ele tenha tido, mas essa parte a gente não recebeu, só acompanhávamos como era feito. [...] Ele dava instruções como fazer a pincelada. [...] A primeira aula para mim foi marcante, porque ele era bastante rigoroso, e determinou: ‘Você vai preparar as cores’ – era uma natureza morta – ‘e vai colocar as cores separadamente, não é para misturar’. E eu, misturei. Quando ele voltou, disse assim muito ríspido: ‘Mas não foi assim que eu falei. Você não fez como eu disse’. Eu tremi. Ele mostrou, aí acabamos aprendendo, mas naquela noite eu tive pesadelo (risos)”. 

Falecimento do artista

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor) “Quem relatou isso [sobre a morte do artista] foi uma ex-aluna dele que marcou uma aula porque ele estava morando na Enseada [uma das praias da cidade de São Francisco do Sul, no litoral de Santa Catarina]. Ela e uma amiga tinham combinado de ir até lá para fazer uma aula com ele. E nesse mesmo dia ele faleceu de problema cardíaco. Elas ligaram, já tinha acontecido, mas não tinha informação. Foi uma morte bem repentina. Ele não parecia que tinha problema de coração”.

Angélica Kursancew (filha de Victor)Faleceu em fevereiro de 1980 de um aneurisma cerebral, numa fase em que almejava dedicar-se mais as artes plásticas. A arte comercial garantia o sustento de sua grande família (8 filhos). Houve repercussão no noticiário televisivo local e no Jornal A Noticia, com extensa cobertura”.

Victor Kursancew. Foto: Roberto Adam. Foto copiada da reportagem: SZABUNIA, Roberto. Victor Kursancew, acima de tudo amante da arte. Jornal A Notícia, Joinville, 6 mar. 1980.


Em breve, postaremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.
 

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