domingo, 28 de julho de 2013

Entrevistas - sobre Mário Avancini

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais.
 
Começamos por Fritz Alt e agora abordaremos Mário Avancini. Dividiremos por categorias para que assim as falas dos entrevistados fiquem mais organizadas. Nessa postagem, abordaremos as Memórias do artistas, divididas em três subcategorias: Características físicas e psicológicas do artista”, “Situações e momentos” e "Falecimento do artista”.
 
Os entrevistados foram Marcos Avancini, Marli Avancini (filhos do artista) e Sandra Almeida (companheira de trabalho de Mário, na ocasião em que ministrou aulas na Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior). Ex-alunas e companheiras de trabalho também forneceram informações, como Nadja de Carvalho Lamas e Asta dos Reis.
 
 Montagem de fotos. À esquerda: autoria desconhecida. Foto de Mário Avancini. À direita: AVANCINI, Mário. Título desconhecido. S/data, s/especificações de tamanho, mármore. Fotografia de Raquel Ramos dos Anjos. Coleção Particular. Joinville/SC.
 
Características físicas e psicológicas do artista:

Marli Avancini (filha de Mário): “Meu pai era calmo, dócil, sonhador, simples e sonhador”.
 
Marcos Avancini (filho de Mário) “Era um homem forte fisicamente, determinado, sensível e criativo”.

 
Sandra Almeida (ex-aluna de Mário) “[...] ele era baixinho, barrigudinho, bonachão, estava sempre sorrindo. [...] O rosto sorridente dele é uma coisa que eu lembro bastante. [...] Ele era bem humorado, uma pessoa do bem, era uma pessoa que na Casa da Cultura, cuidava da porta, cuidava do banheiro, se estava fazendo alguma coisa, lá ia o Sr. Mário; ele era um 'faz-tudo'; era fantástico. Sabe, vestia a camisa da Casa da Cultura”. “[...] era uma pessoa muito carismática e tratava todo mundo bem, de uma humildade sem tamanho”.
 

Asta dos Reis (ex-aluna de Mário) “Ele era muito simples. Tanto que as alunas não reconheciam nele um artista, e sim um forneiro. Sei que um dia a Leda (professora de Cerâmica) mandou uma aluna levar a peça e entregar para o Sr. Mário. Aí ela foi lá e disse que ‘não, que lá só estava o forneiro, o Sr. Mário não estava’. Ele era tão simples e despojado. [...] Eu acho que o artista para ser autêntico tem que ter essa simplicidade, essa essência. Então o Sr. Mário tinha a essência do artista. E não se deixava influenciar por honrarias, [...] porque ele tinha já um currículo e muitas peças feitas, obras e exposições; mas isso não mexia com ele. Ele continuava a ser aquele homem acessível. Qualquer aluno que viesse e precisasse de uma explicação, uma orientação, ele explicava”. 

 
Nadja de Carvalho Lamas (amiga de Mário) - “Seu Mário era baixinho, gordinho, barrigudinho, o rosto largo assim, bem largo, [...] de um sorriso muito franco; era uma pessoa muito espontânea”.
 
Situações e momentos
 
Marcos Avancini (filho de Mário) “Lembro-me quando pequeno que ele dava suas ferramentas gastas para que eu fizesse minhas esculturas, que quase sempre não dava certo, então ele brigava [comigo]”.
 
Sandra Almeida (ex-aluna de Mário) “[...] Quando o conheci, eu tinha 5 anos, ele era calceteiro. E daí um dia ele contou que na hora do almoço [...] [do trabalho de calceteiro], ele pegava pedacinhos de pedra e ficava brincando e fazendo esculturas com pedacinhos de pedra. E alguém – acho que um chefe dele, se não me engano – viu. [...] Essa pessoa viu o potencial dele e parece que fez a ponte entre ele e o Fritz Alt. Então [...] ele foi trabalhar com o Fritz Alt”.
 
Falecimento do artista
 
Marli Avancini (filha de Mário) “Meu pai sempre dizia que o Hamilton [Machado] era o filho mais sério dele. Disse também que ele precisava de amor e muita compreensão; tenho a certeza que meu pai também foi o melhor amigo dele nesta fase [em que lecionava] na Casa da Cultura. Quando ele [Hamilton Machado] faleceu tentei desligar qualquer fonte de informação que o meu pai tivesse acesso. Infelizmente não deu tempo. Eu já estava no cemitério na Capela. Meu pai perdeu o chão; a saúde dele ficou mais abalada ainda. Na visita ao Hamilton ele disse que seria o próximo a sair da mesma capela, e foi mesmo”.
 
Foto: Juliana Rossi. Foto do catálogo da exposição "Incorporação 2", copiada da pasta do artista localizada na biblioteca do Museu de Arte de Joinville.
 
Em breve, postaremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.

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