terça-feira, 30 de julho de 2013

Entrevistas - sobre Hamilton Machado

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais.

Abordaremos nessa postagem o artista Hamilton Machado. Dividimos por categorias para que assim as falas dos entrevistados fiquem mais organizadas. Nessa postagem, abordaremos as Memórias sobre o artista, divididas em três subcategorias: "Características físicas e psicológicas do artistas", "Situações e momentos" e "Falecimento do artista”. 

As entrevistadas foram: Nissi Machado (irmã do artista), Nadja de Carvalho Lamas (amiga e ex-aluna) e Sandra Almeida (amiga e ex-aluna). Ex-alunas e amigas também forneceram informações, como Marli Avancini e Asta dos Reis.


Montagem de fotos. À esquerda: autoria desconhecida. Foto de Hamilton Machado. À direita: MACHADO, Hamilton. Cabeça rafaelesca. 1988, 68 x 44cm, óleo sobre tela. Foto pertencente a Nadja de Carvalho Lamas. Coleção Particular. Joinville/SC.


Características físicas e psicológicas do artista

Sandra de Almeida (amiga de Hamilton) - “Ele era alto, [...] magro, elegante, barbudo, [...] bonito, charmoso, mas era muito tímido. Era tão tímido que caminhava, caminhava com o nariz para cima, a gente via ele na rua, ele passava a sensação de ser uma pessoa esnobe. Mas quem o conhecia sabia que ele não era nada disso. Ele era uma pessoa super simples, [...] super culta; ele lia muito e se informava muito”. “[...] Eu achava ele uma pessoa muito angustiada, ele tinha uma busca, uma necessidade de aprendizagem, de conhecimento, muito grande”.

Nissi Machado (irmã de Hamilton) “Era lindo, charmoso. [...] ele chegava no prédio dele, na portaria...Tirava a jaqueta e dava para o cara (que estava na portaria com frio). Ele não podia ver alguém sofrendo; não podia ver pobreza, ele se revoltava. Injustiça, ele se revoltava com isso, era bom demais. [...] Ele ficava sem chão sem a mulher; [...] dava muito valor à família. Ele casou amando, e viveu amando”.

Nadja de Carvalho Lamas (amiga e ex-aluna de Hamilton): “O Hamilton era uma pessoa muito irreverente. [...] Ele era um mestre mesmo. O Hamilton era muito bom e um homem muito inteligente, ele lia muito, era muito estudioso [...]”. “Era alto, bem encorpado, um homem muito bonito, de um olhar muito doce, uma pessoa muito educada, mas ao mesmo tempo o Hamilton assustava, porque era muito irônico. [...] Mas a ironia do Hamilton era também uma maneira de mascarar a timidez dele. O Hamilton não era uma pessoa assim de grandes amizades [...], ele era muito gentil”.

Asta dos Reis (ex-aluna de Hamilton) “Ele era magro, cabelo escuro preto, barba. Já tinha uns fios grisalhos.”

Marli Avancini (amiga de Hamilton) “Hamilton só se mostrava a quem ele gostasse muito, e felizmente convivi muito com ele, então procurei ver nele somente qualidades, que eram muitas”.

Situações e momentos

Sandra Almeida (ex-aluna e amiga de Hamilton) “Ele dizia que ele era o mestre, [...] sentava na nossa mesa (em sala de aula, na Casa da Cultura) e a gente falava ‘Hamilton, que lindo’, aí ele falava: ‘Olha para minha mão, a mão do mestre!’”. “[...] Eu frequentava a casa dele também [...]. O apartamento dele era pequeno e tinha um quarto só para ele; o cheiro de tinta era insuportável lá dentro. [...] Ele escutava música [...] e produzia. Acho que ele ouvia jazz”. “Ele era muito amigo do Si [artista já falecido Luiz Si, também ex-professor da Casa da Cultura] e os dois iam para o boteco da esquina juntos. [...] Porque lá não tinha muro; eles iam ao boteco, tomavam uma cachaça e voltavam, eram muito parceiros. O Hamilton era muito ligado àquela escola, era a vida dele, ele gostava de dar aula lá. [...] Quando ele sentava na sua cadeira [em sala de aula], a gente tinha que ficar olhando desesperadamente para ver, porque era ali [na prática] que você aprendia. E todos éramos influenciados por ele diretamente. Quando mostrávamos os trabalhos, já diziam: ‘Ah você é aluna do Hamilton’, porque era uma influência muito forte”. “[...] De Curitiba foi morar no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro ele alugou um apartamento com mais dois ‘caras’: o Fagner (cantor) e Belchior (cantor). Ele morava com esses dois no apartamento”.

Nissi Machado (irmã de Hamilton) “O Hamilton veio embora para cá [Joinville] porque ele viveu em Curitiba muitos anos [...]. Então ele disse que ‘era hora de ficar perto dos pais’. Ele veio, ficou e morreu [aqui]. Porque o lugar exato dele era no Rio, ela (Cristina, sua ex-esposa) era de lá”. “[...] Quando ele me dava carona ele corria, porque eu tenho medo [de velocidade]. Ele morria de rir, era brincalhão”.

Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna e amiga de Hamilton) “[Quando o Hamilton] trabalhava no Rio [de Janeiro], numa agência de publicidade, fazia desenho, pintura e lá ele conheceu a Cristina. Casou e a trouxe para cá. De vez em quando a Cristina ia [para o Rio de Janeiro] pra ficar com a família. [...] Ele ficava fora do prumo. Hamilton não era ninguém sem a Cris. Ela foi o esteio dele, ele tinha paixão por ela. Aí [quando ela não estava em Joinville] ele me ligava. [...] Tomava umas e outras, já era meia noite e meia e eu dizia: ‘Hamilton, pelo amor de Deus, eu dou aula amanhã 7h30 da manhã. Você vai poder dormir, eu não’. E ele respondia ‘Você é minha amiga, você tem que me ouvir’”.

Falecimento do artista

Nissi Machado (irmã de Hamilton) “Na morte do meu irmão, o [Mário] Avancini estava sentado ao meu lado e falou: ‘o próximo vai ser eu’. Ele sentiu muito a morte do meu irmão. [...] [Naquele ano] morreu o Schwanke, e o Hamilton estava muito baixo astral. E daí em agosto ele foi. [...] Ele não nos avisou que estava ruim, deu aula na segunda, andava para lá e para cá [...]. Foi uma morte muito triste”.

Sandra Almeida (ex-aluna e amiga de Hamilton) “Foi uma comoção entre os artistas; [...] foi uma sequência de pessoas. [...] O Hamilton teve uma parada cardíaca no banheiro da casa dele”.

Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna e amiga de Hamilton) “Do Hamilton foi [...] assim chocante, porque uns 15 dias antes eu tinha encontrado com ele na rua. Naquela época ele estava indo muito para o Jerke [Empadas Jerke] no final do dia. [...] E a gente conversou um pouco, eu falei: ‘Hamilton, que vida mais maluca, a gente já não se encontra mais’. Falamos de fazer uma macarronada de novo, para se reunir, e foi a última vez que eu vi o Hamilton”.

Foto: autoria desconhecida. Hamilton Machado junto a seu autorretrato, com 17 anos. Foto pertencente a Nissi Machado.

Em breve, postaremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.

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